Propostas apresentadas e acertadas na rodada de 17 de agosto incluíam piso salarial, alimentação, auxílios, horas extras, banco de horas e manutenção do PPQ; na videoconferência desta quinta-feira (27), empresa voltou à mesa propondo apenas reajuste salarial de 4,11%
A negociação do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027 com a Atvos teve um novo e preocupante capítulo nesta quinta-feira, 27 de agosto. Segundo os representantes sindicais que participam das tratativas, a empresa voltou atrás em pontos que haviam avançado na reunião presencial realizada em Goiânia, no dia 17 de agosto, apresentando nesta nova rodada uma proposta limitada, basicamente, ao reajuste salarial de 4,11%.
A mudança de posicionamento causou forte indignação entre os sindicatos, principalmente porque a reunião de Goiânia havia criado a expectativa de que as negociações estavam próximas de uma conclusão, com uma série de condições já discutidas para compor o ACT.
Para as entidades sindicais, voltar atrás depois de horas de negociação e de avanços construídos na mesa demonstra falta de consideração com os representantes da categoria e, principalmente, com os trabalhadores que aguardam uma definição.
O que havia avançado na reunião de Goiânia?
Entre os pontos apresentados como parte da negociação do dia 17 de agosto estava o reajuste de 4,11% para os salários acima do piso.
Também constava a definição de um piso salarial de R$ 2.075,00 para todas as unidades.
Na área de alimentação, ficou consignado em ATA na reunião do dia 17/08 em Goiânia, os valores descritos abaixo.
Para os trabalhadores sem acesso a refeitório, os valores previstos de alimentação e refeição apareciam da seguinte maneira:
UEL: R$ 596,60 + R$ 287,00, totalizando R$ 883,60;
USL: R$ 596,60 + R$ 287,00, totalizando R$ 883,60;
UAE: R$ 550,00 + R$ 287,00, totalizando R$ 837,00;
UMV: R$ 550,00 + R$ 287,00, totalizando R$ 837,00;
URC: R$ 550,00 + R$ 287,00, totalizando R$ 837,00;
UAT: R$ 550,00 + R$ 287,00, totalizando R$ 837,00;
UCR: R$ 550,00 + R$ 287,00, totalizando R$ 837,00;
UCP: R$ 550,00 + R$ 287,00, totalizando R$ 837,00;
Escritório Corporativo: R$ 1.047,35.
Esses valores faziam parte de um conjunto de condições que vinha sendo trabalhado para reduzir diferenças entre unidades e buscar maior equilíbrio no tratamento dado aos trabalhadores.
Auxílio-creche e benefício para dependente com deficiência
Outro ponto discutido foi o reajuste de 4,11% no auxílio-creche, acompanhando o índice aplicado à massa salarial.
O mesmo percentual de 4,11% também seria aplicado ao auxílio destinado a filho ou dependente com deficiência (PCD).
São benefícios que têm impacto direto na vida das famílias e que, para os sindicatos, não podem ser tratados como detalhes secundários da negociação.
Horas extras também tiveram avanços
A negociação realizada em Goiânia também tratou do pagamento das horas extraordinárias.
O que havia avançado previa:
adicional de 70% para horas extras durante a semana e 110% nas situações previstas envolvendo descanso semanal remunerado (DSR) e feriados.
Além disso, quando houvesse convocação do trabalhador em sua residência, estava prevista uma garantia mínima correspondente a quatro horas extras.
Outro ponto foi a discussão de um banco de horas unificado, criando uma regra comum para as unidades abrangidas pela negociação.
PPQ deveria ser mantido
Também estava entre os pontos apresentados a manutenção do PPQ – Prêmio de Produção e Qualidade, além da preservação de diversos outros benefícios já existentes.
Para os sindicatos, essa questão é especialmente importante porque o PPQ faz parte da realidade econômica de muitos trabalhadores e qualquer mudança precisa ser discutida com responsabilidade e transparência.
E agora a empresa apresenta apenas 4,11%?
O problema, segundo os representantes sindicais, surgiu justamente na videoconferência realizada nesta quinta-feira, 27 de agosto.
Depois de todo o trabalho realizado anteriormente e das expectativas criadas pela rodada de Goiânia, a Atvos teria retornado à mesa propondo apenas o reajuste salarial de 4,11%, sem manter, naquele momento, o conjunto de avanços que vinha sendo discutido.
A postura provocou indignação.
Para os sindicatos, negociação coletiva precisa ter seriedade, continuidade e respeito à palavra construída na mesa. Não é razoável passar horas discutindo cláusulas, valores e benefícios, avançar em entendimentos e, na reunião seguinte, apresentar uma proposta muito inferior ao que vinha sendo trabalhado.
Os trabalhadores acompanham essas reuniões, aguardam informações e criam expectativas legítimas sobre aquilo que está sendo negociado.
Quando existe um recuo dessa dimensão, não são apenas os sindicatos que são atingidos. São milhares de trabalhadores e suas famílias que ficam novamente sem uma definição.
Sindicatos cobram respeito à negociação
As entidades sindicais deixam claro que não aceitam que o processo de negociação seja tratado como mera formalidade.
Sentar à mesa significa discutir com responsabilidade e buscar soluções. Quando um ponto avança, existe uma expectativa legítima de que aquele entendimento seja respeitado ou, no mínimo, que qualquer mudança seja devidamente explicada e negociada.
Para os representantes dos trabalhadores, apresentar na videoconferência uma proposta resumida praticamente ao índice de 4,11% representa um retrocesso diante de tudo aquilo que havia sido construído anteriormente.
O sentimento manifestado pelas entidades é de indignação e desrespeito com o movimento sindical e com os próprios trabalhadores.
SINTRAB continuará cobrando
O SINTRAB reforça que continuará participando das negociações e cobrando da Atvos uma postura compatível com a importância do Acordo Coletivo.
O sindicato não considera correto simplesmente abandonar os pontos já discutidos e reduzir uma negociação de tamanha importância a uma única cláusula salarial.
Piso de R$ 2.075,00, alimentação, refeição, auxílio-creche, auxílio para dependente com deficiência, horas extras, banco de horas, PPQ e demais benefícios também fazem parte da vida do trabalhador e precisam ser tratados com a mesma seriedade.
A categoria merece respeito, clareza e uma negociação verdadeira.
O SINTRAB seguirá ao lado dos demais sindicatos cobrando explicações, defendendo os avanços construídos e mantendo os trabalhadores informados sobre cada novo passo.
Negociar não é voltar à estaca zero a cada reunião. Negociar é construir compromissos e respeitar os trabalhadores que estão sendo representados.